
Esta página reúne a versão desenvolvida da história da Igreja Vétero-Católica de Jerusalém, desde a tradição de Utrecht e o desenvolvimento do movimento vétero-católico até à missão brasileira, à continuidade do governo episcopal e à missão portuguesa.
Ao longo da página são apresentados, sempre que disponíveis, documentos contemporâneos, estudos académicos, registos civis e fontes institucionais que permitem acompanhar os principais marcos históricos.
Para uma apresentação breve da identidade, história e doutrina da Igreja, consulte A Nossa Fé & História.
A Sé de Utrecht e os Seus Privilégios Históricos
A história dos Vétero‑Católicos não pode ser compreendida sem reconhecer o papel singular da Sé de Utrecht, uma diocese que, desde a Idade Média, gozou de privilégios canónicos de autonomia concedidos diretamente pelos Papas.
No século XII, a Igreja de Utrecht já exercia um direito próprio de participação na eleição dos seus bispos. A tradição documental atribuiu a 1145 um privilégio de Conrado III, posteriormente confirmado pelo Papa Eugénio III, que reconheceria esse direito a determinados capítulos de Utrecht. O IV Concílio de Latrão (1215) enquadrou essa prática na disciplina canónica geral das eleições episcopais, regulando a eleição e confirmação dos prelados e prevendo disposições específicas para eleitos de regiões distantes, incluindo os situados fora da Itália.
Mais tarde, em 1520, o Papa Leão X promulgou a bula Debitum Pastoralis, tradicionalmente conhecida em Utrecht como Privilégio Leonino, que reforçou as garantias jurisdicionais da Igreja de Utrecht, protegendo os seus membros contra determinadas citações e processos perante tribunais eclesiásticos externos e declarando inválidos os procedimentos contrários ao privilégio. Esta proteção tornou-se posteriormente um importante fundamento jurídico nas controvérsias relativas à autonomia da Sé de Utrecht.
O Conflito com Roma e o Cisma de 1723
No início do século XVIII, Roma suspendeu secretamente o Arcebispo de Utrecht, Petrus Codde, acusado de simpatias jansenistas. O capítulo recusou‑se a aceitar a suspensão, argumentando que:
- Violava os privilégios históricos concedidos pelos Papas;
- A sé não estava vacante, pois Codde nunca fora validamente deposto;
- Roma não tinha autoridade para impor um administrador externo.
Quando Codde faleceu, o capítulo exerceu o seu direito de 1145 e elegeu Cornelius Steenhoven como novo arcebispo em 1723, sem solicitar confirmação à Santa Sé. A sua consagração por Dom Varlet consumou o cisma de Utrecht, dando origem à Igreja de Utrecht independente, que preservou a sucessão apostólica e a doutrina católica tradicional.
O Movimento Vétero‑Católico no Século XIX
Após o Concílio Vaticano I (1870) e a definição do dogma da Infalibilidade Papal, muitos teólogos, historiadores e fiéis rejeitaram o que consideravam uma inovação contrária à tradição do primeiro milénio. Procurando uma continuidade católica sem as novas definições romanas, estes grupos encontraram em Utrecht uma sucessão apostólica legítima e uma eclesiologia tradicional.
Assim nasceu o movimento Vétero‑Católico, que se organizou em igrejas nacionais autónomas, formando a União de Utrecht.
A Dissidência Inglesa e o Movimento Vétero‑Romano
Com o tempo, a União de Utrecht começou a adotar posições teológicas progressistas. Em 1910, reagindo às tendências modernistas da União de Utrecht, o Bispo Arnold Mathew emitiu a "Declaração de Autonomia". Este manifesto rompeu com Utrecht e instituiu a Igreja Vétero-Romana na Inglaterra, estabelecendo uma jurisdição independente dedicada estritamente à preservação da doutrina católica tradicional.
Décadas depois, Utrecht confirmou essa tendência ao ordenar mulheres e celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, práticas incompatíveis com a Tradição Apostólica. A via tradicionalista dos Vétero‑Romanos permaneceu fiel à doutrina católica histórica. Uma das linhas de sucessão apostólica da nossa Igreja deriva do Sr. Bispo Arnold Mathew.
A missão vétero-católica polaca no Brasil e a continuidade do governo (1932–presente)

Bispo Władysław M. Faron em 1930
A tradição eclesial da qual procede a atual Igreja Apostólica Vétero-Católica do Brasil — Fidelitas tem o seu primeiro marco documental no Brasil em 1932, na missão organizada pelo Pe. Teophilo (Teofil) Bartnicki sob a autoridade eclesiástica de Władysław M. Faron.
Esta origem deve ser distinguida da posterior presença da Polish National Catholic Church (PNCC) no Brasil. Em 1932, Faron já se encontrava separado da administração da PNCC na sequência da crise jurisdicional ocorrida na Polónia em 1931. A missão confiada a Bartnicki pertence, portanto, à estrutura eclesial governada por Faron e não a uma missão criada por Scranton.
A documentação contemporânea permite acompanhar essa missão desde a sua constituição, a passagem para uma chefia episcopal com Dom Jan Piotr Perkowski, e a continuidade posterior da linha de governo preservada pelos ramos vétero-católicos brasileiros.
1932 — Pe. Teophilo Bartnicki e a constituição da missão brasileira
Em 1932, o Pe. Teophilo Bartnicki iniciou em Ponta Grossa, Paraná, uma missão entre os emigrantes polacos, sob a autoridade de Władysław M. Faron.
Uma fonte contemporânea de especial importância é o periódico eclesiástico Polska Odrodzona, de 1 de novembro de 1932. O documento regista Bartnicki como responsável plenipotenciário da missão e investido de jurisdição eclesiástica para desenvolver o trabalho pastoral no Paraná.
Documento original — Polska Odrodzona, n.º 21, 1 de novembro de 1932
A mesma documentação informa que a comunidade se encontrava juridicamente organizada perante as autoridades brasileiras e que Bartnicki possuía competência para estruturar o trabalho missionário e receber novos sacerdotes.
Em 1933, o Pe. Józef Adamczewski foi enviado da Polónia por Faron para colaborar diretamente com Bartnicki. Nessa notícia, Bartnicki é identificado como pároco de Ponta Grossa e Vigário-Geral da Igreja no Brasil.
Documento original — Polska Odrodzona, n.º 3, 1933
A missão desenvolveu ainda atividade editorial própria. Entre 1933 e 1934, Bartnicki e Adamczewski estiveram ligados à publicação Siewca (“O Semeador”), editada em Ponta Grossa e hoje catalogada pelo Museu Virtual da Diáspora Polaca da Universidade de Varsóvia.
Universidade de Varsóvia — publicações da diáspora polaca no Brasil
Em 22 de junho de 1934, Bartnicki voltou a identificar-se publicamente como responsável pela Igreja Vétero-Católica no Brasil e indicou a Cúria de Faron, em Varsóvia, como a instância de referência para sacerdotes interessados em colaborar na missão.
Documento original — Polska Odrodzona, n.º 15, 1934
A investigação académica brasileira confirma igualmente a existência e atividade da comunidade de Ponta Grossa entre 1932 e 1934.
Estudo académico — “A Igreja Antigo Católica em Ponta Grossa (1932–1934)”
1934–1936 — Dom Jan Piotr Perkowski e a passagem para uma estrutura episcopal

Bispo Jan Piotr Perkowski em 1934, posteriormente viria a ser o primeiro Arcebispo Primaz da Igreja Vétero Católica do Brasil
Em 3 de maio de 1934, Jan Piotr Perkowski foi sagrado bispo-sufragâneo por Władysław M. Faron, integrando então plenamente a estrutura episcopal da Igreja por este governada.
Documento contemporâneo — consagração episcopal de Jan Piotr Perkowski, 1934
Em 30 de abril de 1936, Faron deu à missão brasileira uma chefia episcopal territorial expressa. Sob o cabeçalho Z Kancelarji Kurji Biskupiej (“Da Chancelaria da Cúria Episcopal”), o periódico oficial Polska Odrodzona publicou a decisão pela qual o então bispo-sufragâneo Jan Perkowski era nomeado biskupem-ordynarjuszem dla Brazylji — Bispo Ordinário para o Brasil.
O ato, com o número de expediente 428/36, está datado de 30 de abril de 1936 e assinado por Władysław M. Faron, identificado no documento como Ordinário para toda a Polónia. Na mesma edição, a notícia da partida de Perkowski declara que ele fora delegado para o Brasil pelo Arcebispo e apresenta-o como o novo dirigente da Igreja.
Este documento é decisivo para compreender a natureza da passagem ocorrida em 1936: Perkowski não se limitou a receber a consagração episcopal nem se atribuiu jurisdição no Brasil por iniciativa própria; recebeu de Faron um ofício jurisdicional territorial explícito como Ordinário para o Brasil.
Na sequência deste ato, Perkowski estabeleceu-se no Brasil e assumiu a chefia episcopal da missão iniciada por Bartnicki. A tradição histórica brasileira conserva esta transmissão do governo; mais importante ainda, a continuidade entre a missão de 1932 e a Igreja organizada por Perkowski é reconhecida por investigação histórica polaca independente da atual Fidelitas.
O investigador Stefan Pastuszewski, em estudo publicado em 2018, identifica expressamente a Igreja organizada por Perkowski no Brasil como continuação da missão conduzida desde 1932 pelo Pe. Teophilo Bartnicki.
Stefan Pastuszewski — Rocznik Bialskopodlaski, XXVI, 2018
A mesma investigação reproduz uma declaração de Władysław M. Faron, datada de 25 de maio de 1946, na qual Faron recordava ter enviado sacerdotes vétero-católicos ao Brasil juntamente com o Bispo Perkowski e afirmava que esses clérigos continuavam ali o seu trabalho pastoral.
Este testemunho é particularmente relevante porque confirma, a partir de uma fonte externa à atual Fidelitas, que a atividade de Perkowski no Brasil não surgiu como uma iniciativa sem relação com a missão anterior: encontrava-se historicamente ligada ao trabalho missionário que Faron havia iniciado através de Bartnicki.
1936–1963 — Dom Jan Piotr Perkowski e a Igreja Vétero-Católica no Brasil
Instalado no Brasil, Dom Jan Piotr Perkowski organizou uma estrutura eclesial vétero-católica com sede em São Paulo, reconhecida pela investigação histórica como continuação da missão de 1932.
Perkowski permaneceu à frente dessa Igreja até ao seu falecimento, em 1963. A partir da sua administração episcopal desenvolve-se a linha de governo que a memória eclesial brasileira conserva através de Dom Lírio Prado Fontes, Dom Hélio Del Bivar, Dom Paolo Reale, Dom Rafael Linueza Perez, Dom Paulo Pereira e Dom Paulus Nunes.
A importância de Perkowski nesta história não se limita, portanto, à sucessão sacramental: ele representa a passagem da missão inicialmente confiada a um Vigário-Geral para uma estrutura episcopal brasileira dotada de continuidade própria de governo.
1938 — Cinco paróquias da mesma matriz histórica são recebidas pela PNCC
A história do catolicismo nacional polaco no Brasil conheceu, entretanto, outra trajetória.
Em 7 de abril de 1938, cinco paróquias brasileiras já existentes: Irati, Ponta Grossa, Curitiba, Floresta e Ivaí, solicitaram e foram formalmente recebidas pela Polish National Catholic Church (PNCC) dos Estados Unidos.
Entre os sacerdotes então recebidos encontravam-se Michał Osetek, Józef Adamczewski e Marcin/Martim Kuszel, clérigos que haviam pertencido anteriormente à mesma rede eclesial de Faron. A receção de 1938 representa, assim, uma mudança de jurisdição de parte das comunidades de origem comum, e não a fundação da missão da qual procede a linha de Perkowski.
Wiktor Wysoczański — documentação histórica sobre a receção das cinco paróquias pela PNCC em 1938
A estrutura de Dom Jan Piotr Perkowski não integrou essa receção e continuou separadamente no Brasil.
1975 — Reativação de uma das comunidades recebidas pela PNCC em 1938
Uma das comunidades recebidas pela PNCC em 1938, a antiga paróquia de Floresta, posteriormente Barão de Cotegipe, sobreviveu durante décadas sob o cuidado do Pe. Marcin/Martim Kuszel.
Em 1975, a PNCC voltou a estabelecer contacto regular com essa comunidade e enviou ao Brasil o Pe. Bronisław Wojdyła, iniciando uma nova fase da sua própria missão brasileira. Esta reativação pertence à história da presença da PNCC no Brasil, mas deve ser distinguida da linha episcopal de Perkowski e dos seus sucessores, que constitui a sequência de governo apresentada nesta página.
Relato contemporâneo do Pe. Bronisław Wojdyła — Rodzina, 1975, n.º 45
A distinção entre estas duas trajetórias permite compreender com maior rigor a história brasileira: ambas procedem do mesmo ambiente católico nacional polaco, algumas pessoas e comunidades passaram de uma para a outra, mas a linha de governo que conduz à atual Fidelitas é apresentada pela tradição brasileira através da missão de Bartnicki, da estrutura episcopal de Perkowski e dos seus sucessores.
A linha de governo episcopal no Brasil
A sucessão no governo da Igreja não é a mesma coisa que a sucessão apostólica das consagrações episcopais.
Ao longo do século XX, diversos bispos participaram em sagrações, exerceram funções de Vigário-Geral, governaram dioceses ou deram origem posteriormente a jurisdições autónomas. Por essa razão, algumas listas antigas de “sucessão” incluem nomes que pertencem à genealogia episcopal sem terem necessariamente exercido a chefia geral da Igreja.
Nesta página apresenta-se especificamente a linha de governo e de Primazia, enquanto as diferentes linhas de sucessão sacramental são apresentadas separadamente na página de Sucessão Apostólica.
Dom Jan Piotr Perkowski — continuidade episcopal da missão
A investigação histórica externa identifica a Igreja organizada por Dom Jan Piotr Perkowski no Brasil como continuação da missão iniciada por Teophilo Bartnicki em 1932. Esta continuidade possui também um fundamento jurisdicional contemporâneo: em 30 de abril de 1936, pelo expediente 428/36, Faron nomeou Perkowski Bispo Ordinário para o Brasil. O próprio Faron recordaria em 1946 ter enviado sacerdotes ao Brasil juntamente com Perkowski, confirmando a ligação histórica entre a missão original e a posterior estrutura episcopal brasileira.
Perkowski estabeleceu a sua estrutura em São Paulo e permaneceu à frente dela até ao seu falecimento, em 1963.
Stefan Pastuszewski — estudo histórico sobre Perkowski e a missão brasileira
Após a morte de Perkowski, a memória eclesial publicada pelos ramos vétero-católicos brasileiros conserva a sequência de transmissão do governo que permite acompanhar a chefia da Igreja ao longo das décadas seguintes.
Reconstituição histórica brasileira — sequência do governo episcopal posterior a Perkowski
1963 — Dom Lírio Prado Fontes
Com o falecimento de Dom Jan Piotr Perkowski, a tradição histórica publicada em várias fontes regista que Dom Lírio Prado Fontes assumiu o Governo Supremo da Igreja em 15 de agosto de 1963.
A transmissão de autoridade eclesial de Perkowski a Lírio constitui, assim, o primeiro elo da sucessão de governo posterior à organização episcopal iniciada por Perkowski.
A data e a sucessão são conservadas pela reconstituição histórica eclesial brasileira.
1966 — Dom Hélio Del Bivar
A mesma documentação histórica regista que Dom Lírio Prado Fontes renunciou ao Governo Supremo em 1966, passando a chefia da Igreja a Dom Hélio Del Bivar.
A história publicada conserva ainda a informação de que, nesse período, Hélio procedeu à reorganização dos estatutos e do registo da Igreja em São Paulo.
Dom Paolo Reale e Dom Rafael Linueza Perez
Por motivos de saúde, Dom Hélio Del Bivar transmitiu posteriormente o governo a Dom Paolo Reale.
Durante o governo de Dom Paolo, Dom Rafael Linueza Perez exerceu a função de Vigário-Geral.
Após o falecimento de Hélio, ocorrido em maio de 1988, a tradição institucional regista que Dom Rafael Linueza Perez foi eleito Arcebispo da Igreja Vétero-Católica em 28 de julho de 1988, assumindo a chefia que vinha sendo exercida naquela estrutura.
História da Igreja Vétero-Católica do Brasil — sequência Lírio, Hélio, Paolo e Rafael
1981 — Um registo civil contemporâneo da Igreja Vétero-Católica em São Paulo
Um elemento documental adicional permite confirmar a existência civil da Igreja durante este período.
Encontra-se registada no Brasil uma pessoa jurídica denominada:
Igreja Vétero-Católica no Brasil
CNPJ 48.393.326/0001-52
Data de abertura: 30 de dezembro de 1981
São Paulo, SP.
Consulta cadastral — Igreja Vétero-Católica no Brasil, CNPJ 48.393.326/0001-52
Jusbrasil — dados públicos provenientes da Receita Federal
A data de abertura é relevante porque situa documentalmente uma pessoa jurídica com a denominação Igreja Vétero-Católica no Brasil precisamente no período correspondente aos governos de Hélio Del Bivar, Paolo Reale e Rafael Linueza Perez.
Dom Rafael Linueza Perez a Dom Paulo Pereira
Após Dom Rafael Linueza Perez, a tradição institucional conserva Dom Paulo Pereira como seu sucessor no governo da Igreja a partir de 1997.
Neste ponto, a existência e o exercício do ministério arquiepiscopal de Paulo Pereira encontram também confirmação contemporânea fora da atual Fidelitas.
Em maio de 2002, Dom Fernando Fraga declarou publicamente que havia recebido a sagração episcopal, em outubro do ano anterior, de Dom Paulo Pereira, identificando-o como Arcebispo da Vetero Catholica Ecclesia in Brasília — Igreja dos Velhos Católicos.
Esta referência é especialmente importante por ter sido publicada durante a vida de Dom Paulo Pereira e por não depender de uma reconstrução histórica posterior da Fidelitas.
Outros ramos vétero-católicos brasileiros, posteriormente independentes, preservam igualmente Paulo Pereira nas suas memórias institucionais como Arcebispo Primaz.
Igreja dos Velhos Católicos do Brasil — memória histórica dos Primazes
Dom Paulus Nunes e a sucessão de 2003

Sua Beatitude, Dom Paulus Nunes, Patriarca dos Vétero Católicos Fidelitas e de Jerusalém no Brasil e Exterior
A história da Igreja Fidelitas e a tradição preservada por outros ramos vétero-católicos brasileiros regista a sagração de Dom Paulus Nunes por Dom Paulo Pereira em 2001, com Dom José Falcão como co-consagrante, tendo sido nomeado como Bispo de Curitiba.
Com o falecimento de Dom Paulo Pereira em 2003, Dom Paulus Nunes foi eleito e sucedeu-lhe como Arcebispo Primaz do Brasil.
2001 — A obra assistencial Anjos de Deus
Um marco civil da obra que já então se desenvolvia em torno de Dom Paulus encontra-se em Curitiba.
Em 5 de fevereiro de 2001 foi constituída a Associação Assistencial Anjos de Deus, CNPJ 04.266.775/0001-64, sediada na Rua Ariosvaldo Moreira, 276, Cajuru, Curitiba, tendo Paulo Roberto Nunes de Araujo como Presidente.
Registo civil — Associação Assistencial Anjos de Deus, CNPJ 04.266.775/0001-64
A Fidelitas apresenta esta Associação como uma das suas obras sociais.
Fidelitas — Associação Assistencial Anjos de Deus
A Associação não constitui, por si mesma, a fonte da sucessão eclesiástica; constitui antes um marco civil da obra pastoral e social já ligada a Dom Paulus antes da formalização jurídica posterior da Fidelitas.
2011 — Formalização civil da Igreja Apostólica Vétero Católica do Brasil - Fidelitas
Em 30 de maio de 2011 foi formalizada em Curitiba a pessoa jurídica:
Igreja Apostólica Vétero Católica do Brasil - Fidelitas
CNPJ 13.938.271/0001-34
O cadastro identifica a entidade como Organização Religiosa, tendo Paulo Roberto Nunes de Araujo como Presidente desde a abertura.
A sede encontra-se na Rua Ariosvaldo Moreira, 276, Cajuru, Curitiba, endereço igualmente associado à obra assistencial organizada anteriormente.
Registo civil — Igreja Apostólica Vétero Católica do Brasil - Fidelitas, CNPJ 13.938.271/0001-34
O ano de 2011 corresponde, portanto, à formalização civil da Igreja sob a denominação Fidelitas e não ao início da sucessão ou da sua existência eclesial.
2015–2017 — A Fidelitas como estrutura eclesial de jurisdições posteriormente autónomas
A posição efetivamente exercida pela Fidelitas como estrutura de governo encontra confirmação também na história de jurisdições que mais tarde se tornaram independentes.
A atual Igreja Vétero Católica no Brasil, dirigida por Dom Diogo Bonioli, regista na sua própria história que a Arquidiocese Vétero Católica do Rio de Janeiro, criada em 2015, esteve inicialmente vinculada aos Fidelitas.
A mesma fonte informa que, em 26 de junho de 2017, Dom Diogo pediu formalmente a sua dispensa da Fidelitas, seguindo-se a reorganização daquela jurisdição como Igreja autónoma.
Igreja Vétero Católica no Brasil — vínculo inicial à Fidelitas e separação institucional
Este testemunho possui particular valor histórico por provir de uma jurisdição atualmente independente da Fidelitas e reconhecer expressamente a sua anterior vinculação à estrutura governada por Dom Paulus Nunes.
2018 — Governo Patriarcal da Fidelitas
A evolução institucional da Fidelitas conheceu uma nova etapa entre 18 e 20 de maio de 2018, durante a Conferência Internacional dos Bispos Vétero-Católicos Fidelitas, realizada em Xanxerê, Santa Catarina.
Dom Paulus Nunes, que já exercia o governo da Igreja, foi reconhecido colegialmente pelos Bispos da comunhão no exercício do Patriarcado da Igreja Apostólica Vétero Católica do Brasil Fidelitas.
Fidelitas — Conferência Internacional dos Bispos Vétero-Católicos, Xanxerê, 18–20 de maio de 2018
A estrutura eclesial da Fidelitas passou a distinguir o Governo Patriarcal, de âmbito geral na comunhão, das Primazias nacionais, Arquidioceses, Dioceses e demais circunscrições eclesiásticas.
Síntese da linhagem de governo
A documentação histórica atualmente disponível permite apresentar a seguinte sucessão de chefia e governo:
1932 — Pe. Teophilo Bartnicki
Nomeado responsável da missão no Brasil com jurisdição eclesiástica delegada; posteriormente documentado como Vigário-Geral.
1936–1963 — Dom Jan Piotr Perkowski
Nomeado por Faron, em 30 de abril de 1936, Bispo Ordinário para o Brasil (expediente 428/36); assume e organiza em São Paulo a chefia episcopal da Igreja identificada por investigação histórica externa como continuação da missão de Bartnicki.
1963 — Dom Lírio Prado Fontes
Assume o Governo Supremo após o falecimento de Perkowski.
1966 — Dom Hélio Del Bivar
Recebe o governo por renúncia de Dom Lírio.
1978 - Dom Paolo Reale
Recebe posteriormente a chefia da Igreja de Dom Hélio Del Bivar.
1988 — Dom Rafael Linueza Perez
Depois de exercer o Vicariato-Geral, é eleito Arcebispo em 28 de julho de 1988.
1997 - Dom Paulo Pereira
Sucede a Dom Rafael Linueza no governo e é documentado contemporaneamente, no início do século XXI, como Arcebispo da Igreja Vétero-Católica.
2003 — Dom Paulus Nunes
Sucede a Dom Paulo Pereira como Arcebispo Primaz; posteriormente passa a exercer o Governo Patriarcal da Fidelitas.
Esta é uma linhagem de governo e jurisdição eclesial. Não deve ser confundida com a genealogia sacramental das sagrações episcopais, que inclui outros bispos e outras linhas de sucessão apostólica.
Da tradição de Utrecht à União de Scranton
A história mais recente da Polish National Catholic Church conduziu à formação da União de Scranton.
A PNCC, que historicamente pertencera à União de Utrecht, deixou de estar em comunhão ou afiliada às Igrejas dessa União em 20 de novembro de 2003. Segundo a explicação oficial da União de Scranton, a rutura desenvolveu-se no contexto de divergências relativas à ordenação de mulheres ao sacerdócio e à bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo.
União de Scranton — história, declaração e Igrejas membros
Em 2008, a PNCC promulgou a Declaração de Scranton, reafirmando os princípios católicos que entendia terem sido preservados na tradição da Declaração de Utrecht de 1889.
A União de Scranton enquanto comunhão de Igrejas tornou-se efetivamente uma realidade em 25 de julho de 2011, quando os bispos da PNCC consagraram Dom Roald Nikolai Flemestad para a Nordic Catholic Church. No dia seguinte reuniu-se a Conferência Internacional dos Bispos Católicos — International Catholic Bishops Conference (ICBC).
História oficial — PNCC, Declaração e União de Scranton
A Fidelitas informa publicamente encontrar-se num processo de reaproximação e reconhecimento pela União de Scranton e declara aguardar a correspondente documentação de aceitação.
A Igreja Vétero Católica de Jerusalém em Portugal
Em Portugal, a Igreja Vétero Católica de Jerusalém foi eregida por decreto de S.B. o Patriarca Dom Paulus Nunes, que em 2023 nomeou o Dom Carlos Fonseca como Arcebispo Primaz de Portugal.
Arquivo documental e bibliografia
Para permitir a consulta direta das fontes utilizadas nesta reconstrução histórica, disponibilizam-se abaixo os principais documentos atualmente localizados:
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1932 — Polska Odrodzona, n.º 21:
nomeação do Pe. Teophilo Bartnicki como responsável da missão brasileira, com jurisdição eclesiástica.
Consultar documento -
1933 — Polska Odrodzona, n.º 3:
envio do Pe. Józef Adamczewski ao Brasil e identificação de Bartnicki como Vigário-Geral da Igreja no Brasil.
Consultar documento -
1933–1934 — Siewca:
registo da publicação eclesiástica polaca editada em Ponta Grossa.
Museu Virtual da Diáspora Polaca — Universidade de Varsóvia -
1934 — consagração de Dom Jan Piotr Perkowski:
documentação contemporânea da sua sagração episcopal como bispo-sufragâneo na Igreja de Władysław M. Faron.
Consultar documento -
1934 — Polska Odrodzona, n.º 15:
Bartnicki apresenta-se como responsável pela Igreja Vétero-Católica no Brasil e indica a Cúria de Faron como referência da missão.
Consultar documento -
Stefan Pastuszewski — Rocznik Bialskopodlaski, XXVI, 2018:
estudo histórico que identifica a Igreja de Perkowski no Brasil como continuação da missão de Bartnicki e reproduz a declaração de Faron de 1946 sobre o envio de Perkowski e de sacerdotes ao Brasil.
Consultar estudo -
Estudo académico da UEPG:
“A Igreja Antigo Católica em Ponta Grossa (1932–1934): análise da disputa religiosa na comunidade polonesa local”.
Consultar estudo -
1938 — receção de cinco paróquias pela PNCC:
documentação histórica sobre Irati, Ponta Grossa, Curitiba, Floresta e Ivaí e a sua entrada formal na PNCC.
Rodzina, outubro de 2008 -
1975 — reativação da missão da PNCC em Barão de Cotegipe:
relato contemporâneo do Pe. Bronisław Wojdyła sobre o reencontro com a comunidade anteriormente recebida em 1938.
Rodzina, 1975, n.º 45 -
História eclesial brasileira posterior a Perkowski:
reconstituição publicada da sequência de governo Lírio Prado Fontes, Hélio Del Bivar, Paolo Reale e Rafael Linueza Perez.
Consultar reconstituição histórica -
2002 — Dom Paulo Pereira:
referência contemporânea que o identifica publicamente como Arcebispo da Igreja Vétero-Católica.
Jornal de Araraquara, 27 de maio de 2002 -
2001 — Associação Assistencial Anjos de Deus:
registo civil da obra pastoral e social ligada a Dom Paulus Nunes antes da formalização da Fidelitas.
Consultar dados de registo -
2011 — Igreja Apostólica Vétero-Católica do Brasil — Fidelitas:
formalização civil da organização religiosa sob a denominação atual.
Consultar dados de registo -
União de Scranton — documentação oficial:
Declaração, Estatutos e Igrejas membros
História da PNCC e da União de Scranton